quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Cacos

Não cate meus cacos
Deixe-me exposta a humilhação.
Eu vou por aí,
Enquanto a dor dos ossos é sepultada...

Brigo em silêncio quando perco as forças.
Respiro a maldição da dor de coração.
O pior de todos os males invadiu-me a alma...
Já não sou eu que respondo por mim.

Nas escadarias escuras recobro o que sobrou.
Bebendo o pior dos vinhos,
Quero sentir a pior das ressacas.
Assim, creio sucumbir à dor da morte
Vivo não mais eu em mim...
Nada mais há em mim para te dar.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Mediocremente

Do que te ocultas?
Da privacidade?
Da obscuridade?
Da sincera falsidade?

Refém dos seus sentimentos
Momentos infinitos de dor.
Desta vida que levas medíocre
Não te ocultes da dor.
Não se aqueça do seu frio
Morra eu seus segundos de mediocridade...

Não se angustie ao vagar nas ruas.
Eles não lêem seus fantasmas.
Olhe eu seus olhos,
E inveje a paz dos resignados.

Do que te ocultas?
Da privacidade?
Da obscuridade?
Da sincera falsidade?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Caminhos Errantes

Estava só neste caminho,
O vento acariciou os fracassos passados.
O desalento anda a passos lentos e descompassados.
Tocava, apalpando meus frios temores.
O beco sujo foi atravessado em meio a palpitações e horrores.
No cansaço, o retorno foi à investida da derrota.

Descoberto os caminhos,
Derrotaram-me com seus olhares bons.
Desisti de acorrentá-los as amarras da mágoa.
Aceita está a pseudo- cumplicidade.
Sorrirei para os bons no caos da alma constrangida.
Em suas multidões ansiarei pelo beco sujo...

Bailarei os passos fúnebres seus.
Aos acordes de seus sons
Prepararei-me para os seus campos de concentração.
Não temerei a descoberta das diferenças
Temerei o encontro do que não sou.
Sentindo dor de saudade da solidão.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Seja

Seja as minhas lágrimas da saudade efêmera.
Traga a eternidade do seu sorriso em um cálice.
Beberei seu ser, embriagada dos seus medos...
Seja o meu pasto verde,
Meu mar,
Minha tempestade,
Minha estrada.
Não irei a lugar nenhum que me leve longe das suas ruas.


Sonharei os segundos da sua ausência.
Seja o meu céu mais bonito.
Seja minha manhã acinzentada e a chuva que lava meus pecados.
Beberei seu ser, embriagada dos seus medos...
Seja o meu pasto verde,
Meu mar,
Minha tempestade,
Minha estrada.
Não irei a lugar nenhum que me leve longe das suas ruas.
Todos os dias serão para os seus dias...

Inquisidores

Sentados olhamos a alegria dos afortunados.
De pé aplaudimos a esperança em nossos heróis.
Sentados fingimos nos incomodar com a miséria dos distantes.
De pé oramos cumprindo o rito da reforma dominical.

Deitados estremecemos a espera do pseudo- purgatório...
De joelhos bambeamos a espera de nossos inquisidores.
Rastejaremos ao redor da fogueira vindoura...
Deitamos ainda encolhidos e petrificados
Esperando a condenação de nossa real falsidade

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Ponte

O rapaz decidiu-se finalmente...
O carro verde, grande e invejado segue seu rumo.
Seguiu a luz dos faróis,
Ofuscado por suas escuridões espirituais.
Atravessando a ponte avistou o Rio,de céu cinza e chuvoso.
Emocionou...
Parou.
Mergulhou para o nada...
Nada sentiu ao olhar Niterói daquele ângulo... apenas agiu.
Apenas parou...
Desceu...
Pulou. . .

Trincheiras

Espere à guerra,
Não virei com paz.
Cansei-me das trincheiras desabrigadas,
Circulo errante nas tropas do inimigo.
Pensa ainda que estou na batalha,
Abandonada está a posição protegida...
Declaro à derrota
Ofereço as barricadas do não-perdão.
Morrer é fácil,
A vida é mais difícil.
Estilhace-me,
Sem minimizar meus danos.