quinta-feira, 12 de março de 2009

Presente no Presente

Hoje não falarei dos pesadelos,
Dos tremores,
Das angústias,
Das insônias,
Das mágoas metafísicas,
Da existência forçada.

Hoje cantarei os sonhos,
As certezas,
Os alívios,
As fugas sem dissabores,
Os apoios incondicionais,
A inexistência do entender a alma.
Fernando Pessoa
Meus versos são meu sonho dado

MEUS VERSOS são meu sonho dado.
Quero viver, não sei viver,
Por isso, anônimo e encantado,
Canto para me pertencer.
O que soubemos, o perdemos.
O que pensamos, já o fomos.
Ah, e só guardamos o que demos
E tudo é sermos quem não somos.

Se alguém souber sentir meu canto
Meu canto eu saberei sentir.
Viverei com minha alma tanto
Quanto outros vivem (?)

segunda-feira, 9 de março de 2009

Poeira do Asfalto

As noites tomam-me os sonhos.
No abrir e fechar dos olhos fujo da realidade.
Existirá alguém mais tão inadequado quanto eu?
Os pensamentos me são como a poeira do asfalto.
Que levantam a luz do dia e toma seu lugar de direito a madrugada.

Estremeço a cada minuto por saber o que sou...
E não há esperanças de uma mudança em um mundo escorregadio.
Por favor, coopere e sorria!
Siga o ciclo dos gratos =============
Viva definhando as esferas amargas, beba sua violência interna.

Se tiveres astúcia, ouça:
Não há um porquê de viveres na cadeia da cidade,
Se estás preso às cadeias dos seus pensamentos...
Por favor, coopere e sorria!
Siga o ciclo dos gratos =============

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Cinja-me de folhas secas

Cinja-me de folhas secas,
Cinja-me em suas verdades,
de folhas secas_
Secas que se quebram ao tocá-las
Em fronte a apagar-se
Tão cedo!
Cinja-me de folhas secas
E de folhas da alvorada.
E basta.

Coroai-me de rosas por Ricardo Reis

Coroai-me de rosas,
Coroai-me em verdade,
De rosas —
Rosas que se apagam
Em fronte a apagar-se
Tão cedo!
Coroai-me de rosas
E de folhas breves.
E basta.

Jornada

Eu sei tudo sobre vida e morte.
Fui deixada na estrada à porta da minha consciência.
Subjugada pelas fortes dores, corri de mim em plena ciência.
Quebrado e destruído está o meu odre.

Coloquem-me no isolamento.
Constituo ameaça com meus profundos questionamentos.
Resolvi deixar de ser o que não sou...
Mas ainda guardo meus segredos, oculto toda a dor.

Dor de ser o que é...
Dor de viver sem querer a dor do outro.
Em minha angústia, desejei o melhor para mim.
Revelei o que ansiei: me autodestruir.

As palavras condenam os que as escrevem em público.
Rasgue sua alma e se entregue as vaias dos covardes.
Revele suas chagas e antecipe sua jornada
Deixe-me só, busco escrever minhas ambigüidades.

Vivo meu isolamento intelectual.
Sentada a beira de um poço choro meus devaneios
Vi o reflexo do que sou...
Poço, guarde contigo a subjetividade da minha dor...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Um dia

Perco um dia de vida a cada dia que passa por mim.
Longe se vão os dias da mocidade.
Foi assim que me perdi no labirinto onde não há paz.
Preciso aceitar o que perdi
Perdi e me perdi entre paredes sombrias
Os dias que não voltam lembram do que sou feita.
Feita de dias frios, da frieza natural.
Não sou boa
Meus fracassos recordam os dias perdidos...
Posso ainda achá-los em terras amargas.
Cultivarei uma árvore seca e nunca me preocuparei com seus frutos...