segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Fragmento

Acordei com a faísca da esperança.
Permiti-me sonhar com as rajadas do Who knows.
Incólume acordei do devaneio,
Dormente e de costas para a fantasia abracei minha realidade.

Volto-me para o que sou,
Estou,não vou, nada sobrou... cacos completam-me.
Nunca seria nada além de um medíocre fragmento.
Nunca restou nada além dos restos que me tragou.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A Aurora

Quem somos nós neste mundo complicado?
De outono é feito meus dias,
As folhas caem
Tão mortas quanto eu.

Esqueça as horas,
Os nomes,
Seu nome,
A voz...vozes...vorazes

Lembro da aurora, mas sobrevivo
Dos meus crepúsculos
Traga-me a aurora polar dos outros planetas
Assim viverei mais uma vez.
Caindo como as folhas
Neste mundo complicado

Devedor

Demito-me...de viver.
Abro concordata dos meus sonhos mais valiosos.
Silencio a falência que há tempos habita em mim.
Como um desgraçado devedor respiro o ar poluído da derrota,
Cansado estou desde o dia que corri da felicidade.

Na manhã de sol vi lugares desconhecidos,
Voltei para minhas neblinas.
Vergonha há para os que não cansam de invejar os afortunados,
Ver a pobreza dos outros me aflige.

Ainda sinto o palpitar do meu coração
Mesmo sem que eu queira que ainda trabalhe,
Sufocado do dia após dia vive a certeza do esquecimento.
Não há de ser nada ser ninguém.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Peçonhentas

Quando vivi na ignorância acovardei-me.
Sentada na mesa das serpentes ansiei pelos dias de alienação.
Sinto a ofiofobia natural de me sentir seu alimento.
Em meio à digestão deles, sou cuspida como o resto...
Restou apenas ser entorpecida mais uma vez por seus venenos.

Saudades da ignorância adormecida pelo sono eterno.
O saber mata os que não têm escamas.
Em posição de ataque os peçonhentos se preparam.
Munidos do amor aos valores,
Avaliam o potencial das vitimas.

Aguardo em meus sintomas às picadas fatais...
Não há soro para o mal de viver entre as serpentes.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Inaptidão

Alimento para o ser é a inesgotável busca da aceitação.
Inerte paira ao olhar as ruas desertas da noite triste.
O sossego é um segundo de um olhar atento.
A inaptidão dos sentimentos o coroou.

Um dia olhou a inexatidão de seu caráter.
Choraria as lágrimas que o fariam voltar a si...
Talvez a lucidez tenha viajado em um adeus eterno
Quisera tivéssemos mentes dignas dos bem-aventurados

De olhos fechados mirei o espelho.
Refletiu o esquecimento das mazelas passadas...
Vi o fantasma que busca escapar a cada suspiro.
Fugir não seria possível, pois sou feita do pior de mim.
.................. dou adeus, mas sempre volto ao reflexo daquele espelho.............

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Predestinado

Condenado as horas de aflições
Os espectros sussurram os limites da estória.
Não tenho forças para sucumbir à absoluta soberania dos corretos.
Leve-me ao monte dos escravos,
E liberte-me da utopia da escolha.

Predestinei-me à efêmera alegria.
Predestinei-me às longas noites dos temerosos.
Predestinei-me a vontade contínua,
Insondável estou para os escolhidos.
Não compreensível ao vosso entendimento
Vago entendendo-me e rejeitando-me.

Ser

Acorrentado aos erros e culpas,
Vive a vegetativa vida.
Seu ser misógino busca amar o reflexo.
Liberte-se de seu destino.
Predestinado aos questionamentos,
Enfraqueceram-se os ossos pelas constantes dores.
Dor do ser, dor sem cura.

Volte e olhe atrás do vale...
Estará lá seu passo rumo ao desespero.
Busque-se enquanto ainda há tempo.
Respire e no simples soslaio
Olhe para trás e solte erros e culpas.
Liberte a dor do ser.
Se duvidar haver ainda cura para ti... desista.